Quero um dia de tristeza, da mais profunda tristeza. Para saber até onde a amargura humana pode nos levar. Quero esse dia para gravá-lo a fogo na minha alma e compará-lo a todos os outros, quando andamos meio sonâmbulos pela vida e esquecemos o quanto somos agraciados pelo simples fato de, se não temos a felicidade plena, também não termos a tristeza entranhada em nosso ser.
Quero um dia de solidão, da mais profunda e aterrorizante experiência de estar desamparado. Para que eu aprenda a dar valor, em todos os amanheceres que se seguirem, aos bons dias sorridentes e a preocupação genuína dos que me perguntam “tudo bem com você?”, da amizade dos que ouvem um desabafo ou seguram minha mão.
Quero um dia de dor lacinante. Tanta e tão profunda que analgésico algum possa saná-la. Para que nos dias em que deitar minha cabeça no travesseiro eu possa ser capaz de agradecer a dádiva da saúde, do meu corpo funcionando em perfeição.
Quero um dia de desalento, de desencanto e da mais sofrida amargura. Somente um dia. Mas que ele seja suficiente para que eu aprenda a distinguir o doce sabor da vida que se renova, das oportunidades que se apresentam e das coisas simples como um sorriso, um passo à frente, a coragem de recomeçar.
Quero um dia par mergulhar na escuridão de mim mesma. Sentir a energia da ira, da raiva, do ódio, do rancor e do ressentimento, pra depois descobrir que isso até pode fazer parte de mim em algum momento, mas não é isso que define quem sou… e então, em cada um dos dias que se seguirem, poder escolher o perdão, o amor e o entendimento.
Quero uma noite escura… mas apenas uma, para poder apreciar a magia de um novo dia que se desnuda no horizonte, com todas as suas possibilidades e belezas…
domingo, 29 de novembro de 2009
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