sábado, 28 de novembro de 2009
Estranhas sensações
A atmosfera estranha ainda paira no ar e transfere-se para dentro do meu ser. Há dias que não sei o que ocorre dentro de mim... sinto-se estranha, confusa. Há algum tempo encontrei em meu quarto um diário, o diário que pertenceu a uma mulher de letra caprichada, fina, inclinada e forte. Seus relatos misturam felicidade, tristeza e, ao fim, desespero. Passei dias lendo suas memórias, mas não pude dar continuidade. Simplesmente não pude... aquelas palavras me tocaram de uma forma que é como se fosse eu quem as escreveu. São minhas palavras. Aquela letra... é minha! Eu vejo o momento em que foram escritas, eu sinto a intensidade da alegria, e da tristeza com que foram escritas. Será loucura? Talvez... tudo me lembra a dona do diário. Ela passou por esses corredores pelos quais hoje eu passo. Ela tocou no corrimão da escada, ela ocupou o quarto que eu ocupo. Foi ela quem Vlad amou antes de mim. Ouço seus passos, sua risada, sua respiração... como se fossem meus. Meu ser mistura-se a ela. Não sei até onde eu termino e onde ela começa... É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer, porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo... transformo-me nela. É ela quem Vlad deseja... é ela quem ele vê. Pandora, Pandora, Pandora! É ela quem move tudo isso.
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